Araçatuba/SP Domingo, 05 Set 2010 09:17:38

A Igreja, a Mídia e a Parapsicologia - Parte 11

Quarta, 09 Maio 2007 16:08:00
Descrição
Por:
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Não custa nada recordar um fato ocorrido no Anhembi, em São Paulo, em agosto de 1992, quando, no 1º Encontro Brasileiro de Parapsicologia e Religião, Henrique Rodrigues, Clóvis Nunes e o psicoterpeuta Ney Prieto Peres puderam, à convite da própria Igreja, participar de debates com o ilustre parapsicólogo jesuíta que, esperava-se, iria calar de forma irrefutável estes ilustres conferencistas e pesquisadores, que postulam a comunicação entre vivos e "mortos" como uma possibilidade rea
Artigo

De qualquer forma, é bom sabermos que muitos outros pesquisadores estão abertos aos fenômenos da psicografia e da transcomunicação, sem impor a estes preconceitos de antemão construídos para os desacreditar. Neste sentido é reconfortante saber que o fenômeno da Transcomunicação, ou, como também é conhecido, da Psicotrônica, tenha atingido tal importância nos meios científicos ao ponto de ser aprovado todo um programa de estudos para este campo, encabeçada pelo Institute of Noetic Sciences, da California, Estados Unidos, organização fundada pelo astronauta Ed Mitchell e que conta com inúmeros cientistas e pesquisadores ligados às mais importantes Universidades Norte-Americanas (clique aqui para obter mais detalhes sobre este programa).

O novo mágico, ou melhor, a nova estrela (à época) das noites de doming, irá bem usar de seu espaço nobre na mídia e mais uma vez nos contará, como o fazia seu antecessor, como são os segredos e truques - porque esta é uma área onde eles se apresentam mais claramente , o que não implica dizer que só existam truques ou pessoas de má fé - de parte do que se apresenta, aparentemente, como "fenômenos paranormais" - sim, porque ele mesmo reconhece que existem realmente fenômenos legítimos, mas apresentá-los e demonstrá-los não é, obviamente, seu principal trabalho na TV, muito menos o de respeitar ou apresentar os trabalhos e pesquisas de outros, a menos que compartilham de seu mesmo ponto de vista que, claro, julga ser o único correto. É mais fácil apresentar alguns truques de circo e generalizar a apresentação para explicar todo o universo dos fenômenos geralmente ligados a vertentes religiosas que ele não aceita e quer que não sejam levados em conta por ninguém.

Oh, este ai sabe!, exclama o grande público, na sua ingenuidade e fé no no dito que diz a TV, em especial, em associação com o respeito que a aura de um Sacerdote Católico, e ainda mais estrangeiro e parapsicólogo, inspira, permanecendo, porém, as pessoas distantes da literatura especializada no assunto. A imagem, para muitos, diz tudo. Mais adiante, porém, iremos nos aprofundar no que é realmente a Parapsicologia que, atualmente, foi aprofundada na Psicobiofísica.

O ilustre auto intitulado "parapsicólogo" teórico a que nos referimos nasceu na Espanha. Em sua infância teve parentes espíritas (ao menos é isso o que ele diz), mas sua vocação para o sacerdócio católico o fez entrar em choque com as idéias dos que simpatizam com o espiritismo. Por esta época, já se tornornava para ele intolerável que os espíritas - ou quem quer que fosse - pudessem por em cheque os ensinamentos e dogmas da Igreja, ainda que tivesse um secreto interesse por temas como materializações, aparições, etc., em especial as ocorridas dentro da Igreja Católica.

Os fenômenos ditos "paranormais" (que não necessariamente são sinônimos de anormais ou sobrenaturais, hoje em dia sendo paulatinamente chamados de fenômenos psi e que só são ainda paranormais por escaparem ao escopo de nosso paradigma científico dominante. Se um cavalheiro de 1801 visse, pelas ruas de Paris, um automóvel andando sem que se visse cavalos puxando-o, certamente teria tomado a "visão" como sendo sobrenatural), porém, não pertecem, não são e nunca serão exclusividade do movimento espírita, do mesmo modo que as fraudes e trapaças, que, se existem, também não deixaram e não deixam de ocorrer igualmente até mesmo em ciências muito bem assentadas, mas que nem por isso chegaram a desmontar a Medicina ou a própria Igreja - e não foram poucos os falsos milagres e o comércio da fé ocorridos nas paredes dos templos católicos. E nem mesmo os luminares do intelecto e da pesquisa mais moderna escapam de montarem sistemas ou idéias de um precoceito flagrante. Tome-se o caso, por exemplo, da volta implícita do racismo na moderna teoria da Sociobiologia que, em linhas gerais, estabelece uma etnia (claro, a do homem branco) como superior às demais.

Os fenômenos paranormais já existiam antes do espíritismo (doutrina formulada na Europa no século XIX), são relatados em todas as culturas, continuam a ocorrer, e seus registros fazem parte de praticamente todas as partes do mundo onde se conhece a escrita ou outra forma de expressão plástica (C.f. Mircea Eliade, em seu livro "O Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase" e Ernesto Bozzano em "Povos Primitivos e Manifestações Supranormais") e mais adiante veremos que estão muito bem registrados na própria Bíblia.

Financiado pela Igreja, o "Padre que não tem medo de assombração" muda-se para o Brasil onde, no Rio Grande do Sul, termina seus estudos de Teologia e, diante da imensa popularidade das idéias espíritas e espiritualistas no país, passa a se dedicar com maior ênfase ao estudo da Parapsicologia, por ser este, segundo ele, o único instrumento válido para combater principalmente os - também segundo ele - erros do espiritismo. Na verdade, se fosse esta a sua real intenção, seu trabalho seria louvável e de grande utilidade, desmascarando os reais embusteiros e charlatães que existem a torto e a direito por todos os lugares. Neste ponto, deveria, usando do fundamento da imparcialidade, igualmente, conhecer e respeitar os trabalhos de outros parapsicólogos sérios - que citaremos mais adiante e cujos trabalhos são mencionados na bibliografia ao final desta página - que constatam a existência de outras tantas pessoas "especiais", chamadas de parnormais e os fenômenos a elas correlatos dentro mesmo de quadros teóricos a que não se acha obrigado a concordar.

Porém, patentemente não era esta sua inteção, ou apenas esta intenção, mas sim a de usar de um novo campo de pesquisas, a Parapsicologia, para se revestir de certa autoridade e dar um halo de cientificidade à muito de sua guerra pessoal contra os espíritas, passando por cima das novas áreas de estudo em ciência, como as descobertas da Física Moderna, a Psicologia Transpessoal, os estudos sobre mente e consciência levados à cabo por Karl Pribam, os trabalhos de David Bohm e outros. Ele simplesmente despreza as consequências destas pesquisas que superam o modelo mecanicista que já vem sendo superado pela ciência, em especial a Física e Biologia (C.f. a Home Page O Novo Paradigma Holístico), que relativiza a visão de mundo ocidental que o "Caçador de Enigmas", apesar de pertencer, bem ou mal, a uma instituição que se diz espiritualista (será?) e em seus livros demonstrar, intelectualmente falando, é claro, conhecimento dos avanços epistemológicos nas ciências físicas e cognitivas, inclusive adotando uma postura mais coerente com estes avanços no tocante à validade da Percepção Extra-Sensorial (PES), ainda adota ardorosamente os velhos modelos mecanicistas quando se trata de combater as idéias e teorias outras que levam em consideração a interrelação e comunicação entre planos de existências diferentes, como o espiritual e o físico, e assim sendo, ele age mais como um dos últimos positivistas que como um cientista de vanguarda. Pelo menos é bastante newtoniana a sua acertiva de que os efeitos físicos paranormais, em especial os causados em aparelhos eletrônicos, são inversamente proporcionais à distância que deles se acham os paranormais... Bem, levando-se em conta as descoberta da física quântica, em especial a do experimento de Einstein-Rosen-Podolsky, esta assertiva, se tomada como lei, é ao menos questionável. Quevedo insiste que gravações paranormais só podem ser feitas se um agente (pessoa) está por perto, até cerca de 50 metros, para que o inconsciente (de que forma? como?) possa produzir imanges registradas em vídeo. Bem, então como se explica uma imagem "fantasma" feita pelo sistema de segurança de um estacionamneto, onde se vêem carros dispostos em mais de 150 metros, sem que nenhuma pessoa esteja presente? Este vídeo foi apresentado pela News Channel 4, da cidade de Oklahoma, Estados Unidos, e pode ser visto aqui.

Como muito bem nos fala Lawrence LeShan em seu esplêndido livro "De Newton à Percepção Estra-Sensorial, A Parapsicologia e o Desafio da Ciência Moderna", fazendo eco às pesquisas em Filosofia da Ciência de Thomas Kuhn, Edgar Morin e Fritjof Capra, a partir da Revolução Científica do século XVI, a visão do homem sobre a natureza modificou-se consideravelmente.


"A nova visão era a de que tudo no mundo funcionava [basicamente] da mesma maneira, do mesmo como como as máquinas funcionavam. As coisas só se afetavam mutuamente através de um contato direto, da mesma forma que uma biela faz uma roda girar. (...) Uma vez que Newton demonstrou que esse modelo mecânico podia ser aplicado ao movimento dos planetas, este, cada vez mais, tornou-se a única espécie aceitável de explicação até que, no final do século XIX, foi aplicada a virtualmente tudo, inclusive a evolução das espécies, às realizações da sociedade e à própria consciência" (LeShan, Op. Cit, p. 21).

 

 

Só que, a partir da nova Revolução Científica iniciada em fins do século passado, na Física (C.f. meu texto A Física Moderna, Uma Nova Visão de Mundo), em especial com os trabalhos de Faraday, Maxwell e Planck, atingindo seu ponto mais dramático com Einstein e os teóricos da Física Quântica (Bohr, Schrödinger, Heisenberg e outros), ficou amplamente demonstrado que a visão de mundo mecanicista da física clássica de Newton, que serviu de modelo às demais ciências, não só não dá conta de toda a realidade física como, inclusive, é vista como sendo uma criação humana, útil, porém limitada, feita pelo homem para dar sentido aos fenômenos naturais que o cercam, e mesmo assim, só ao nível das chamadas dimensões médias, ou seja, dos objetos compostos (portanto, formado de um conglomerado de átomos) que nos cercam e com quem interagimos a velocidades muito baixas. Se saímos desta faixa de dimensões médias, indo para o nível atômico, ou para os grandes conlgomerados de galáxias, ou temos de lidar com grandes velocidades, a mecânica de Newton simplesmente deixa de funcionar à contento.

As mudanças conceituais na Física Moderna, porém, correram silenciosas e à parte dos estudos nas ciências humanas, em particular na Psicologia e, com ela, na Parapsicologia. De fato, na Física ocorria um movimento que


"se afastava da idéia de que apenas um modelo do universo era necessário para explicar toda a realidade, indo em direção ao conceito de que diferentes modelos eram necessários para lidar com diferentes aspectos (domínios) da experiência. Tudo começou com Max Planck, em 1900, segundo a qual o sistema teórico necessário para explicar o microcosmo (aquele mundo de coisas por demais pequeno para ser observado pelos sentidos, ainda que teoricamente) era diferente do sistema necessário e válido para o domínio das coisas cotidianas, acessíveis aos sentidos. De acordo com as palavras de Planck, vivemos em um 'universo de duas pistas'. Eis o que revelou o físico Erwin Schrödinger:


À medida que os olhos de nossa mente penetram em distâncias cada vez menores e em tempos cada vez mais curtos, percebemos a natureza comportando-se de maneira tão inteiramente diversa daquilo que observamos em corpos visíveis e palpáveis, em torno de nós, que nenhum modelo criado a partir de nossas experiências jamais poderá ser inteiramente 'verdadeiro'.

 

"Decorridos alguns anos, Einstein demonstrou que um terceiro sistema, um terceiro modelo, era necessário para o domínio da experiência que incluia coisas grandes demais ou que caminhavam rápido demais para serem acessíveis aos sentidos.

"Nenhum desses sistemas explanatórios se contradiz mutamente. Eles são compatíveis e nehum é mais válido do que os outros. São simplesmente acessíveis a um domínio específico da experiência (...).

"Aos poucos ficou evidente (...) que um comportamento significativo, não pode ser explicado simplesmente de acordo com os mesmos princípios a que precisamos recorrer para lidarmos com os domínios de experiências que interessam a um físico [coisa já demonstrada pelo filósofo existencialista Sören Kierkegaard no século XIX] (..)(LeShan, Op. Cit. pp.16-17).


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Quarta, 09 Maio 2007 16:08:00
 
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