Não custa nada recordar um fato ocorrido no Anhembi, em São Paulo, em agosto de 1992, quando, no 1º Encontro Brasileiro de Parapsicologia e Religião, Henrique Rodrigues, Clóvis Nunes e o psicoterpeuta Ney Prieto Peres puderam, à convite da própria Igreja, participar de debates com o ilustre parapsicólogo jesuíta que, esperava-se, iria calar de forma irrefutável estes ilustres conferencistas e pesquisadores, que postulam a comunicação entre vivos e "mortos" como uma possibilidade rea
Este "debate", apresentado no dia 23 de janeiro de 2000, foi truncado na montagem da edição levada ao ar, e, apesar das interessantes imagens apresentadas, inclusive expondo pesquisadores e técnicos internacionais, entre os quais se encontram outros sacerdotes católicos, como o Padre Fraçois Brune, o processo de edição miniaturização das matérias deixou no ar um monte de dúvidas, em especial no que tange à resposta, à guisa de explicação, dado pelo "Caçador de Enígmas" - e vimos que a parte do Sr. Padre Quevedo foi gravada por fora do local onde o encontro com Clóvis Nunes foi realizado... por quê?
A hipótese de ação do inconsciente enquanto agente da ação do fenômeno não foi apresentada como tal, ou seja, como uma hipótese, um modelo explicativo sujeito à confirmação ou não, portanto se prestando ao debate e ao confronto construtivo com outras hipóteses verossímeis, que é o teste de falibilidade necessário à lógica da pesquisa científica, como bem defendeu Karl Popper. Ao menos faltou ao ilustre e inteligente interlocutor católico apresentar evidências e pesquisas que apontassem indícios firmes para a questão, para ele indiscutível, de que as imagens gravadas por meios eletrônicos obitdas por técnicos e cientistas em rigorosas experimentações eram frutos de uma "ideoplastia" ou "escotografia" da ação do inconsciente.
Mas Quevedo é conhecido - como vimos pelas citações dos Srs Drs. Martinez-Tabos e Charles Tart - por jamais produzir qualquer pesquisa experimental séria, mas em se apropriar e manipular a de outros (veja maiores detalhes mais adiante). Mas, ao contrário disto, a - para ele Lei da - "escotografia" inconsciente (faltou dizer como isso se dá, e porque é preciso que a fita magnética de vídeo tenha de correr em equipamentos eletrônicos de gravação para que a imagem seja registrada, quando a "escotografia", ou seja, a hipótese da impressão mental em meios físicos de registro, poderia simplesmente agir sobre a própria fita) foi apresentada como uma certeza do tipo "Dogma", sobre o qual que não há possibilidade de contestação (o que, na verdade, é o que mais há, como veremos mais adiante). E dogma é algo que a ciência não pode admitir, pois impossibilita qualquer confronto sério de argumentos, sendo, portanto, imposto como uma verdade estabelecida.
Por conta de Dogmas rígidos, impostos, em especial de cunho religioso (mas também os há em outras áreas, impostos algo ditatorialmente), a história científica registra uma corrente de assassinatos institucionalizados, até mesmo racionalizados, de pessoas inocentes que apenas "ousaram" pensar de modo diferente do establishment Igreja/Estado (ex. Giordano Bruno, Galileu-Galilei, a paraibana Branca Dias e, bem mais recentemente, no século XX, assassinando "apenas" moralmente, o antropólogo jesuíta francês Pierre Teilhard de Chardin e o teólogo brasileiro Leonardo Boff). De qualquer modo, nas imagens do "debate" que foram ao ar, sem que tenham sido feitas edições pró-contratado, ficou bem visível o semblante de deboche do ilustre sacerdote parapsicólogo por todo o tempo em que seu interlocutor explicava a técnica de registro de sons e imagens paranormais. O padre, enfim, parece, em seu programa, que "possui a chave" que desvenda os enígmas do "desconhecido" - ou ao menos é nisso que ele crê (a íntegra do debate entre "O Caçador de Enigmas" e Nunes, porém, foi gravada pela Globo e pode ser obtida com o professor Nunes, cujo e-mail é: paz@gd.com.br. Neste vídeo vemos que o Sr. Sacerdote "Parapsicólogo" fica a tal ponto em dificuldades para manter seus argumentos, que tenta acabar o debate várias vezes, incluisive com seu habitual ponto final: "Não discuto com fanático!").
Isso é fazer arrogante pouco caso de pesquisas sérias levadas à cabo com sábios das mais diversas áreas que confirmaram a existência autêntica de fenômenos metapsíquics e paranormais sem afirmar, contudo, que estejamos sequer perto de entende-los dentro da visão de mundo que a ciência de hoje nos dá, quanto mais de imputá-los à pecha de fraudulentos em sua totalidade, ou frutos do inconsciente (palavra mágica que aparenta explicar não explicando, de fato, nada). Citemos o Prêmio Nobel Charles Richet, os Físicos Sir William Crookes e Oliver Lodge, o astrônomo Luigi Schiapareli e, mais atualmente, o parapsicólogo Karlis Osis, o Professor Ian Stevenson, o Dr. Stanley Krippner, o Dr. Pierre Weil, dentre inúmeros outros.
Para dar um exemplo, na década de 70 do século XIX, um extraordinário cientista britânico, chamado William Crookes, mas tarde agraciado com o título de Sir e de Cavaleiro do Império Britânico, por suas muitas contribuições à ciência (dentre as quais a descoberta do elemento químico tálio e do quarto estado da matério, estado radiante ou guza, dentre inúmeras outras descobertas e contribuições)fez uma série de experiências com grandes médiuns, mas suas mais famosas pesquisas foram com o fenômeno de materializações de espíritos, em especial a do Espírito de Katie King, pela médium Florence Cook, que foi fotografado mais de quarenta vezes e examinado por Crookes na presença de vários cientistas, em seu próprio laboratório de físico-química. À esquerda, uma das fotos de Crookes do espírito materializado Katie King, ao lado do médico Dr. James Gully. A foto foi tirada em presença do então presidente da Royal Society of Sciences, Sir William Huggins. Mas o Sr. Padre Quevedo insiste que Crookes foi enganado pela médium (ele e todos os demais cientistas que estudaram este fenômeno! E olhe que o Sr. Padre Quevedo o que mais faz é tomar emprestado a pesquisa de outros para manipulá-las, como já monstramos nas epígrafes inciais deste artigo e vamos demonstrar ainda mais adiante). Tudo não passando de fraude, mistificação.