Araçatuba/SP Sexta, 10 Set 2010 14:45:03

A Igreja, a Mídia e a Parapsicologia - Parte 5

Quarta, 09 Maio 2007 16:08:00
Descrição
Por:
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Não custa nada recordar um fato ocorrido no Anhembi, em São Paulo, em agosto de 1992, quando, no 1º Encontro Brasileiro de Parapsicologia e Religião, Henrique Rodrigues, Clóvis Nunes e o psicoterpeuta Ney Prieto Peres puderam, à convite da própria Igreja, participar de debates com o ilustre parapsicólogo jesuíta que, esperava-se, iria calar de forma irrefutável estes ilustres conferencistas e pesquisadores, que postulam a comunicação entre vivos e "mortos" como uma possibilidade rea
Artigo

Mais adiante o grande Richet continua:

"Um primeiro fato é evidente: é que todas as vezes que um sábio (um sábio de fato) assentiu em estudar de maneira aprofundada esses fenômenos, chamado outrora de ocultos, adquiriu a convicção da existência desses fenômenos. Na história da Metapsíquica, não conheço somente um caso, não somente um, de um observador consciencioso que, após dois anos de estudos, tenha concluído por uma negativa" (RICHET, op. cit, p. 79)

O Próprio Richet não só controlou experimentos rigorosos de materialização, como fotografou vários espíritos, como o de Bien Boa, visto ao lado, por intermédio das forças psíquicas da médium Eva Carrière (Marthe Béraud).

Mas o Sr. "Caçador de Engimas", com a humildade que lhe é peculiar, não só diz que Crookes foi enganado ou, no mínimo, interpretou mal o caso, como todas as pessoas que tenham capacidades paranormais são doentes que precisam ser curados! Retoma uma concepção de Pierre Janet que já caiu por terra, derrubado pelo próprio fisiologista Richet, por Osty, Geley e outros reais estudiosos dos fenômenos paranormais qualitativos. Mas, se é doença quem o afirma a gora? E devem ser "curados" logo por quem? Pelo licenciado, portanto, proibido de exercer a psicoterapia Padre Quevedo?

Vejamos o que a este respeito nos fala o neuropsiquiatra Dr. James Cerviño:

Os que realmente estudaram os fenômenos mediúnicos não se iludiram com as ousadas extrapolações de Janet. “Falou-se muito em histeria”, diz Charles Richet, “mas convém notar que a histeria não é uma condição favorável” (referia-se à produção de fenômenos metapsíquicos), “a não ser para dar uma desmedida extensão a esta forma mórbida”. E sobre os médiuns: “Em todo caso nego-me, em absoluto, a considera-los doentes, como está bastante disposto a fazer Pierre Janet” (Traité de Métapsychique). Maxwell, Osty, Myers e outros metapsiquistas eminentes pronunciam-se no mesmo sentido. Foram, inclusive, apontados os elementos para o diagnóstico diferencial entre o transe mediúnico e os estados doentios que se lhe assemelham (CERVIÑO, 1996, pp. 42-43, destaques meus).

Alias, já vimos que o Dr. Charles Tart - real pesquisador - desmente Quevedo exatamente neste ponto. Igualmente o faz o Dr. Alberto Lyra (LYRA, 1990).

Neste sentido, é útil a observação dos parapsicólogos franceses Hubert Larcher e Patrick Ravignat que destacam o fato de que alguns auto-intitulados "parapsicólogos" nada mais são que proselitistas travestidos de pesquisadores que na verdade acabam mesmo por prejudicar a ainda incipiente e, academicamente, pouco aceita parapsicologia. De fato, o termos "parapsicologia" e "paranormal" estão tão desgastados pelo imenso uso de aproveitadores, que os pesquisadores sérios preferem os termos "estudo psi" e "fenômenos psi".

Observam Larcher e Ravignat:

"Os detratores são de duas espécies: há os que, negando ferozmente a realidade dos fenômenos que ela (a Parapsicologia) se propõe estudar, reduzem a parapsicologia à psicologia pura e simples: mentira, burla, farsa. Pondo deliberadamente de parte inúmeras experiências positivas para se cingir aos casos de fraude flagrante, esses capeões do racionalismo têm na ocorrência uma atitude muito pouco racional e teimam em só ver truques, ou quando muito, coincidências, nas resultados mais significativos.

"A segunda categoria de adversários é mais sutil. Na ótica destes, a parapsicologia na passaria de uma secção, de um arrebalde da psicopatologia. Só admitem a existência de determinados fatos na medida em que figurem entre os efeitos e sintomas de crises, de perturbações nervosas e mentais: o paranormal não seria separável do anormal. Em suma, suprimem os laboratórios de parapsicologia aumentando ligeiramente o gabinete dos neuropsiquiatras.

"A verdade é que, embora se trate de disciplinas conexas, embora o estado de crise possa por vezes servir de suporte, de catalisador ao desencadear de um processo do foro do parapsicólogo, os dois domínios nunca se confundem; o doente sob vigilância médica oferece sem dúvida com mais freqüência a oportunidade de se observar premonições ou transmissões de pensamento que o bom pai de família no pleno goso do seu esquilíbrio, porque este último, com receio de provocar a chacota ou de se ver TRATADO DE 'MALUCO', tem normalmente tendência para dissimular os fenômenos que nos interessam"(LARCHER & RAVIGNAT, "Os Domínios da Parapsicologia", Lisboa, Edições 70, pp. 70-71).


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