Não custa nada recordar um fato ocorrido no Anhembi, em São Paulo, em agosto de 1992, quando, no 1º Encontro Brasileiro de Parapsicologia e Religião, Henrique Rodrigues, Clóvis Nunes e o psicoterpeuta Ney Prieto Peres puderam, à convite da própria Igreja, participar de debates com o ilustre parapsicólogo jesuíta que, esperava-se, iria calar de forma irrefutável estes ilustres conferencistas e pesquisadores, que postulam a comunicação entre vivos e "mortos" como uma possibilidade rea
Provavelmente os parapsicólogos franceses citados não conhecem o Pe. "Caçador de Enigmas", mas suas palavras bem parecem ser dirigidas a ele, que usa exatamente destes expedientes citados. Mas tal aparente paradoxo não é atributo exclusivo da pesquisa em parapsicologia. Se constatarmos que existem doutores em Economia que adotam teorias favoráveis ao cruel sistema capitalista e vários outros de renome que simpatizam com o Socialismo, o mesmo se dando em História e Sociologia, e ainda lembrarmos que muitos Físicos ainda acreditam que podem encontrar erros na teoria de Einstein e que ainda torcem o nariz às conseqüências filosóficas e epistemológicas do Princícpio da Incerteza, de Heisenberg, e do Paradoxo de Schröndinger e do Princípio da Dualidade, de Niels Bohr, vemos que o que se tem é o apego a sistemas metafísicos teóricos dados mais por simpatia pessoal que por aceitação implícita e lógica.
Devemos lembrar que exibir conhecimentos enciclopédicos não impede o mal uso, parcialidade e distorções destes. Joseph Mengele era médico e Phd em Filosofia, pianista, educado e bem apessoado, mas isso não o impediu de ser um carrasco Nazista. Tomás de Torquemada (1420-1498) era sacerdote católico, portanto, oficalmente um seguidor de Cristo. Mas apesar do Cristo muito ter ensinado que é por muito se amarem que seriam reconhecidos seus discípulos, foi responsável direto pela morte de milhares de vidas, como líder da Santa Inquisição Espanhola.
Não custa nada recordar um fato ocorrido no Anhembi, em São Paulo, em agosto de 1992, quando, no 1º Encontro Brasileiro de Parapsicologia e Religião, Henrique Rodrigues, Clóvis Nunes e o psicoterpeuta Ney Prieto Peres puderam, à convite da própria Igreja, participar de debates com o ilustre parapsicólogo jesuíta que, esperava-se, iria calar de forma irrefutável estes ilustres conferencistas e pesquisadores, que postulam a comunicação entre vivos e "mortos" como uma possibilidade real. Esta é uma teoria. Como tal, merece respeito e poderia mesmo ser complementar à teoria do "inconsciente" como agente paranormal, como os conceitos de onda e partícula são complementares na Física Quântica.
Nunes discorreu sobre as pesquisas em Transcomunicação Instrumental e os progressos nas pesquisas em psicotrônica; o psicoterapeuta Prieto Peres discorreu sobre as pesquisas e efeitos terapeuticos do processo de regressão de memória, objeto de pesquisas intensas em universidades dos EUA e Europa, onde nomes com Ian Stevenson, Hans Ten Dam, Morris Netherton, James Fadiman e outros se destacam. Finalmente o professor Henrique (sobre o qual falaremos mais adiante) apresentou vários slides sobre um museu muito especial criado e mantido pela Igreja Católica Romana, instalado na própria Roma, na rua Lungo Travere Pratti, nº 12,nas dependências da Igreja do Sagrado Coração do Sufrágio. Trata-se do Museu das Almas do Purgatório, em que estão catalogados mais de 280 "provas", nos dizeres da própria Igreja, das manifestações das "almas" de mortos em igrejas, mosteiros, conventos, do qual foram testemunhas padres, freitas, bispos e cardeais. Convém lembrar que o nome original do museu, tal como concebido pelo seu idealizador, Padre Jouet, era "Museu Cristão do Além-túmulo".
Abaixo, foto de uma das peças do Museu das Almas do Purgatório, uma marca queimada de mão deixada sobre um pedaço de tecido. Notar os pontos de sangue ao lado da silhueta.
O ilustre padre "parapsicólogo", que se manifestou, logicamente, como de se esperar, contrário às colocações dos dois primeiros pesquisadores supra citados, viu e ouviu detalhes das imagens, nomes, locais, datas, impressões e narrativas dos que presenciaram os fenômenos apresentados pelo professor Henrique e... silenciou! Pois, como nos fala o professor Henrique Rodrigues, das duas uma: ou ele confirma o fenômeno mediúnico [de contato entre vivos e "mortos"] dentro da própria Igreja, ou teria de classificar os envolvidos, como ele costuma fazer com os não-católicos que experienciaram fenômenos análogos, de tolos, charlatães, fraudulentos ou vítimas do próprio inconsciente. Mais ainda, o respeitável parapsicólogo jesuíta católico ainda teve de engolir em seco a declaração apresentada pelo professor Henrique de um outro padre jesuíta, responsável pelo controle do museu, que diz textualmente o seguinte: "A Igreja condena a possibilidade de evocar os espíritos dos defuntos mediante a prática dos médiuns. Aqui se trata de outra coisa. São espíritos que espontaneamente se manifestaram para pedir sufrágios e deixaram marcas de sua passagem", o que derruba o mais divulgado dos dogmas do Sr. "Caçador de Enigmas", qual seja, o da impossibilidade de manifestação dos mortos em meio aos vivos.
( * *Atenção: Este texto foi escrito em entre janeiro e março de 2000. No segundo semestre de 2001, porém, mais precisamente no dia 28 de outubro, o programa Fantástico da Rede Globo apresentou, como "Reportagem de Capa", uma matéria de 16 minutos sobre o "Museu das Almas do Purgatório", acima citado. Para ver esta reportagem, basta clicar neste endereço: 1-Reportagem do Fantástico: Museu das Almas. É necessário o programa Real Player, que na sua versão básica pode ser obtido grautitamente na internet. Neste caso, para fazer o download do programa, clique aqui. Para ver a transcrição em texto do mesmo programa, pela Rede Globo, clique aqui. Prestar especial atenção, nesta reportagem, às afirmações do teólogo franciscano italiano Gino Concetti à reporter Ilze Sacamparine, afirmando textualmente que “O espiritismo existe, há sinais na Bíblia, na Sagrada Escritura, no Antigo Testamento. Mas não é do modo fácil como as pessoas acreditam. Nós não podemos chamar o espírito de Michelangelo, ou de Rafael. Mas como existem provas na Sagrada Escritura, não se pode negar que exista essa possibilidade de comunicação”, e do especialista em Vaticano, Sandro Magister:
“A Igreja acredita que seja possível uma comunicação entre este mundo e o outro mundo. A Igreja tem convicção de que esta comunicação existe. A Igreja se sente peregrina, porque vive na terra e possui uma pátria no céu”).
Então, as idéias do Padre Quevedo são representativas das da Igreja?
Fosse realmente a emissora que o contratou mais interessada na exposição clara e profunda de fatos, e não no mero sensacionalismo para promover um novo contratado e faturar alto com o aumento da audiência - que seria elevado com qualquer que fosse o expositor de um tema sedutor como a parapsicologia -, e poderíamos, quem sabe, repetir o debate entre o Professor Henrique e o Padre Quevedo. Ao menos, se espera que ele aceite este desafio e não use da mesma desculpa que usou na Argentina, quando a televisão de Córdoba o chamou para um debate com o mesmo Henrique Rodrigues ao qual não aceitou com o pretexto do interlocutor ser um mero "espírita fanático"...
As gritantes distorções e usos que o superstar midiático da "parapsicologia" por ele defendida no Brasil faz de textos, ou mesmo a cômoda "invenção" de frases de autores consagrados dos estudos da Psicologia e Parapsicologia é patética. Este estilo anti-ético e infantilmente agressivo também faz parte de seus discípulos, entre os quais o mais histriônico e fanático parece ser o Sr. Luiz Roberto Turatti (veja o texto Padre Quevedo, Luiz Roberto Turatti, Pretensos Sábios, Ridículos Polemistas para se ter uma idéia disto, com observações dos Srs. Eduardo Araia, da Revista Planeta, e do Psicólogo Wellington Zangari, da PUC-SP). Para exemplificar, reproduzo, na íntegra, um documento, que pode ser consultado no site da Revista Eletrônica de Parapsicologia do Prof. Wellington Zangari, da PUC SP, que pode ser acessada em http://www.pucsp.br/~cos-puc/cepe/intercon/revista/polemica/tart.htm: