Não custa nada recordar um fato ocorrido no Anhembi, em São Paulo, em agosto de 1992, quando, no 1º Encontro Brasileiro de Parapsicologia e Religião, Henrique Rodrigues, Clóvis Nunes e o psicoterpeuta Ney Prieto Peres puderam, à convite da própria Igreja, participar de debates com o ilustre parapsicólogo jesuíta que, esperava-se, iria calar de forma irrefutável estes ilustres conferencistas e pesquisadores, que postulam a comunicação entre vivos e "mortos" como uma possibilidade rea
Psi X Psicopatologia: Dr. Tart Desmente Pe. Quevedo
Em maio de 2.000, a Revista Sexto-Sentido publicou uma entrevista realizada com o Pe. Quevedo. Meses mais tarde, o site "Oficial do Pe.Quevedo" (http://www.catolicanet.com/clap/entrevista.asp), levou ao ar uma coletânea de entrevistas concedidas pelo padre, dentre as quais a publicada pela Sexto-Sentido.
Em uma de suas respostas, o Pe. Quevedo, para oferecer argumentos a favor da teoria psicopatológica de psi, mencionou pesquisas realizadas pelo conhecido psicólogo e pesquisador de psi americano, Dr. Charles T. Tart (http://www.paradigm-sys.com//cttart/). Após tomarmos conhecimento do teor dessa entrevista, entramos em contato com o Dr. Tart para esclarecer o assunto, uma vez que não conhecíamos tais estudos pela literatura especializada publicada. Abaixo, reproduzimos o trecho da entrevista em que Quevedo responde à pergunta feita sobre psi e psicopatologia pelo jornalista e editor da revista, Gilberto Schoereder. Reproduzimos, ainda, a mensagem que nos foi enviada pelo Dr. Tart (original em inglês e tradução) em resposta à nossa solicitação de esclarecimento.
Gilberto Schoereder (Revista Sexto Sentido) [pergunta 29 no site oficial de Quevedo]: O senhor costuma dizer que as manifestações parapsicológicas não devem ser fomentadas ou desenvolvidas, mas curadas. Esse posicionamento não encontra respaldo em todas as teorias parapsicológicas já desenvolvidas. Existem linhas de estudo, que inclusive pensam o contrário: que as faculdades são uma evolução natural do ser humano e devem ser estimuladas. O senhor não acha perigoso tentar conter uma capacidade mental que pode ser inerente ao ser humano?
Resposta do Pe. Quevedo: O Congresso Internacional de Parapsicologia, realizado na Europa em 1953, proibiu fomentar esses fenômenos. O Dr. Tart comprovou que as brincadeiras com o baralho Zener, que se faziam na Duke University, podem causar lesões cerebrais que não se curam nunca. Cada vez que se fala de uma casa mal-assombrada, de pirogênese, logo surge uma epidemia de casos. Faríamos um mundo de loucos, de hipernervosos, porque ninguém manifesta um fenômeno parapsicológico em estado normal, só em estado alterado de consciência. Telepatia, por exemplo, todo mundo tem alguma vez. Mas uma casa mal-assombrada, uma levitação, uma transfiguração, uma pirogênese, uma autocombustão, são desequilíbrios. Plenamente normal, equilibrado, ninguém manifesta sequer uma telepatia, que é o fenômeno mais vulgar. O estado alterado poderá ser uma emoção, um sonho, o barulho dos atabaques, que causa uma desritmia cerebral, ácido lisérgico, peyote mexicano, cânhamo índico, mescalina, contágio psíquico, morte aparente, uma febre alta. Por outro lado, isso surge do inconsciente e o consciente não reconhece como próprio. Assim, há a necessidade de atribuir algo a alguém, e a pessoa pensa que tem poderes divinos, de espíritos, exus, orixás, fadas, ondinas, salamandras, larvas astrais, gênios, mahatmas; interpretações delirantes que levam à dupla personalidade. Um instituto que promete fomentar os fenômenos parapsicológicos vai atrair muito, vai estar cheio de seguidores, mas não é científico. Os fenômenos devem ser curados.
Mensagem original do Dr. Charles T. Tart, em inglês:
Enviada em: Terça-feira, 8 de Agosto de 2000 01:08
Assunto: Re: Psi and Mental Problems!
Dear Wellington Zangari,
It is sometimes amazing to hear about things I am supposed to have said....
(Wellington: >supposedly, a parapsychologist, Pe.Oscar Gonzales Quevedo...)
There is no legal limitation on who may call themselves a parapsychologist. I reserve the term for those who have scientific and/or scholarly training and have contributed to the scientific and scholarly literature on the subject. Almost all such people are members of the Parapsychological Association. I have never heard of Pe.Oscar Gonzales Quevedo and he is not listed in the membership directory of the Parapsychological Association.
(Wellington: >Quevedo said that experiments are very dangerous to the subjects and that you, Dr. Tart, have proved that this subjects could be serious damages in brain and in their mental process to participating in experiments with ESP cards!)
I've never said anything remotely like this and no of no evidence at all to even suggest such damage, much less prove it. The greatest danger to subject participating in card guessing experiments is boredom...
I hope you can clear this up in your local media and get more accurate reporting.
Sincerely,
Charley Tart
Tradução da mensagem do Dr. Tart:
Enviada em: Terça-feira, 8 de Agosto de 2000 01:08
Assunto: Re: Psi e Problemas Mentais!
Caro Wellington Zangari,
Às vezes é inacreditável saber das coisas que supostamente eu teria dito...
(Wellington: >Pe. Oscar Gonzales Quevedo, supostamente um parapsicólogo...supposedly, a parapsychologist...)
Não há limitação legal para quem se denomine parapsicólogo. Reservo o termo para aqueles que têm treinamento científico ou acadêmico e têm contribuído para a literatura científica e acadêmica sobre o tema. Quase todas essas pessoas são membros da Parapsychological Association. Eu nunca ouvi falar do Pe.Oscar Gonzales Quevedo e ele não está na lista de membros da Parapsychological Association.
(Wellington: >Quevedo disse que os experimentos são muito perigosos para os sujeitos e que você, Dr. Tart, provou que esses sujeitos poderiam ter sérios problemas cerebrais e em seus processos mentais por participarem em experimentos com as cartas ESP!)
Eu nunca disse algo nem remotamente parecido com isso e não há qualquer evidência que sequer sugira tais problemas, muito menos que os tivesse provado. O maior perigo para o sujeito que participa nos experimentos com a escolha de cartas é a chateação...
Eu desejo que você possa esclarecer os meios de comunicação locais oferecendo informações mais precisas.
Sinceramente,
Charley Tart